PRAZER! SOU UM PROFESSOR DE INGLÊS VIRA-LATA

Speaker of English, Spanish, Japanese, Portuguese and LIBRAS, Luã holds a Master degree in Applied Linguistics at UEMS and is a doctoral student in Language Studies at UFMS. Luã also holds a degree in Letters and Education and is a specialist in Modern Education from PUCRS and Neuro Psychopedagogy from FAVENI. He is Internationally certified by DELE, Cambridge, TOEFL, PROLIBRAS and NOURYOKU SHIKEN proficiency tests. Nowadays, he coordinates the bilingual curricula of Nota 10 in MS and Master MT. Luã is also a professor of Education at INSTED. He is interested in interculturality, translanguage and decoloniality issues.





O professor vira-lata deve ser um professor desobediente. Assim como Nolasco (2022) em o Teorizador vira-lata, não procuro utilizar esse termo com o mesmo uso do senso comum de quem é aquele que não tem pedigree. Pelo contrário, uso-o para começar a desenhar a sensação de ser um professor de língua inglesa não-nativo que vive no terceiro mundo. Assim, o que quero dizer é que só de pertencer a um lugar fora do eixo EUA-Europa, o professor latino, africano ou asiático falante de inglês pode sofrer inúmeros preconceitos.

Como se pode observar, o vira-lata tem país e nacionalidade. E esse espaço se caracteriza pela

Relação desigual de poder, o conhecimento e as histórias locais e as subjetividades presentes no pensamento e no discurso modernos, a exploração do trabalho pelos latifundiários e a luta pela terra pelos indígenas, a autoridade do estado e suas instituições atrozes e as formas de viver a vida que prezam pela vida e, contrapondo-se ao modelo econômico ocidental que impera no mundo capitalista, as línguas locais, as memórias subalternas, as crenças e o princípio de saberes outros que escapa ao conhecimento moderno (NOLASCO, P. 15)


É da fronteira-sul de Mato Grosso do Sul que eu, professor vira-lata, aprendo a desaprender para poder, assim, reaprender, de acordo com Mignolo (2010, P.98). Eu, então, (des)pensaria tudo o que foi aprendido por mim sobre o Primeiro (?) Mundo nas rodas de conversas mais informais com amigos, até em ambientes mais formais como na escola e Universidade. Aprendi que o Primeiro mundo é poderoso, moderno, inteligente e preza pelo avanço tecnológico-científico. Depois, desaprendi todos esses adjetivos que foram atribuídos do Primeiro mundo para ele mesmo. Agora, preciso re-ensinar meus alunos a aprenderem que existe o Sul; aprender a ir para o Sul; aprender a partir do Sul e com o Sul (SANTOS & MENESES, 2010, P. 15-19) e não apenas o norte.

Por fim, a desobediência dá coragem para professor vira-lata insistir e resistir, uma vez que seu lugar de origem não pode determinar o valor do seu saber. Mas, o seu lugar pode lhe conceder subsídios valiosos a serviço de um redirecionamento que pode começar pelo próprio adjetivo vira-lata.



 

Referências:


MIGNOLO, W. Desobediencia epistémica. Buenos Aires: Ediciones del Signo, 2010.


NOLASCO, Edgar C. O Teorizador vira-lata. Campinas: Pontes Editores, 2022.


SANTOS & MENESES. Epistemologias do Sul. São Paulo: Cortez, 2010

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