A escola que queremos: educar para a equidade em tempos de pandemia

De acordo com a UNICEF, mais de 168 milhões de crianças foram afastadas da escola por quase um ano em virtude dos “lockdowns” para frear o avanço da COVID-19. O retorno às atividades escolares presenciais aqui no Brasil traz uma série de angústias e indagações sobre como garantir a equidade nos processores de aprendizagens, considerando o impacto negativo do afastamento dos alunos desse espaço de convivência chamado escola. Escola não se limita ao espaço físico, seu papel está muito além disso; escola é lugar de interação, de trocas, de desenvolvimento, tão essenciais à formação integral dos nossos alunos. À medida que os alunos retornam, será preciso suporte para a readaptação e alcance do aprendizado individual, e isso inclui identificar as lacunas de aprendizagem, mensurar o desgaste, ressignifar currículos para realizar a equidade da aprendizagem.

Entre os primeiros passos estão o acolhimento e o diagnóstico. A realização de atividades diagnósticas é de extrema importância para a aprendizagem efetiva, para que nenhuma criança fique para trás.

O ACOLHIMENTO

De acordo com o dicionário Aurélio, dentre os vários significados da palavra acolhimento destaca-se: “Lugar onde se encontra amparo, proteção; refúgio”. Sob essa perspectiva, acolher alunos e professores nesse retorno às atividades presenciais é o primeiro norte para que a aprendizagem aconteça. Embora o ensino à distância tenha acontecido, para alguns de forma ininterrupta, para a maioria de forma insuficiente, é na escola enquanto espaço de interação que as possibilidades para a aprendizagem se multiplicam. Não há mais espaço para abraços, para colo. Um desafio para o dia a dia na escola, principalmente para os pequeninos. Entretanto, nas sábias palavras de Rubem Alves: “Quando a gente abre os olhos, abrem-se as janelas do corpo, e o mundo aparece refletido dentro da gente.” Os olhos. São eles os responsáveis pelos abraços, pelos sorrisos, pelo carinho nesse momento de privação. E se podemos acalentar com o olhar, também podemos ver a dor e angústia nos olhos de nossos alunos. Trabalhar o vínculo é a peça-chave para o início do processo de readaptação. A partir daí, será possível a realização do processo de sondagem.

O DIAGNÓSTICO: MAPEAR & MONITORAR

Uma avaliação diagnóstica efetiva requer diálogo com a equipe docente, levando em consideração o contexto da comunidade escolar e a priorização dos conteúdos essenciais para o andamento do ano letivo. É o momento em que se reconstrói o currículo para adequação à nova realidade. Sob essa perspectiva, entende-se a necessidade de planejamento que abarque a sincronia das atividades visando um propósito único: a equidade nos processos de aprendizagem para o sucesso de todos os alunos. Uma vez feito isso, o passo seguinte é a elaboração da atividade diagnóstica em si, cuja orientação deve ser: observar dificuldades individuais, identificar lacunas no aprendizado e propor planos de intervenção compatíveis com as caracter